domingo, 15 de maio de 2011

Da Janela do Meu Quarto, Girassóis, Menina... - 07/05/2011

Meu amor, minha menina...
Oh minha fulgurante flor angelical...
Anjo em flor... Flor pequenina!
Que floresceu no meu quintal...

Tão belos girassóis, meu amor,
Emurcheceram na tarde quais defuntos...
Emurcheceram juntos com a dor
Que ora nos abandona tristemente juntos...

Da janela do meu quarto, girassóis, menina...
Divinos cachos dourados
Fulgem da tua cabeleira ainda...

Fugaz certeza de um dia termos existidos:
“- Eu, como um tolo apaixonado...”
“- Tu, como um girassol tão colorido...”

(P.O.Velásquez)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tudo O Que Choramos Juntos... - 12/01/2011

Vem-me ao pensamento, saudades...
Saudades de ti!
De um tempo - em mim -, não fenecido...
Saudades do ontem... Das tardes!
Que passei junto contigo...

Oscilante,
O relógio oscilava todo em partes,
Em partes, Febril...
Oscilava tanto em partes, nas tardes!
Em que oscilou no meu vazio...

Ao largo da vida, passaste...
E passaste a passo, sem me ver...
E passaste adiante, enclausurado riso...
E rindo à toa... O meu sofrer!
Tanto mais sofreu por sentir-se vivo...

Lembranças sussurrantes,
Pelo ar, sopradas...
Sopradas pelo ar, tristonho vento...
Sopradas pelo ar, e em mim alçadas!
Como alço a ti o pensamento...

E em tão límpida água,
Suspiram os minutos, e as horas...
Do que fui!...Suspiram os segundos...
Suspira tudo, e a clepsidra chora,
Lembrando tudo o que choramos juntos...

(P.O.Velásquez)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eclipse - 22/06/2010

Borboleta azul,
Que voa na tarde singela!
Que voa sem norte, nem sul!
Que voa sobre delicada camélia...

Em rósea cor,
Camélia!...Ser viva...
Ser viva, borboleta em flor!
E sobre a camélia voar rediviva...

Em finda tarde,
Voeja à sombra fina...
Voeja borboleta, saudades!
Da camélia que o sol descortina...

Um suave adejar!
Volita tão bela camélia...
Volita borboleta, riscado ar!
Em tudo o que me recordo dela...

Na flor de agora,
Ser a camélia, a vida...
A vida!...Borboleta, à hora!
Imersa na água d’uma clepsidra...

À tarde serena!
Serena, borboleta ficou!
Ficou - camélia -, pequena!
Na vermelha cor que se eclipsou...

(P.O.Velásquez)

terça-feira, 20 de abril de 2010

E Queria Ser o Sol - 16/04/2010

E adormeces lânguida, no sofá...
E quem te há de ver toda desperta?!
Se toda a vontade que me dá!
É ser o sol que te acaricia pela fresta...

Figura intangível!...Deitada...
Arfando os seios!...Tão pequeninos...
As longas pernas, enlaçadas!
Pelo rubor do tafetá vermelho-vinho!

E resvala pelo ombro; rubro vestido!
E resvalando, vívido carmim!
Deixa à mostra um seio intumescido...

Pela fresta da saudade, o sol o afaga...
E inda o cinge túmido assim!
Na lembrança em que tanto se apaga...

(P.O.Vesláquez)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Minha Filhinha - 25/07/2005

No jardim onde sempre brincava,
Eu me lembro da minha filhinha correndo...
Fazendo coisas que tanto gostava...
Eu lembro, e de saudades vou morrendo...

Seguem monótonas, as horas!...E os dias!
Vão-se me as lembranças, por fim...
Tristonhas!...Tão mortas... Fugidias!
Eternas recordações em nanquim...

Tão bela!...E linda!...Era a minha filhinha...
E muito, e sempre, comigo vivia!
Uma lembrança, que agora é só minha...

E veio a morte!...E de mim não se apiedou!
E numa noite calma... Tão fria...
Alçou-a nos braços; e num abraço a levou...

(P.O.Velásquez)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As Rosas Que Te Ofereço - 01/12/2009

E te ofereço essas rosas!
Do fundo da alma, colhidas!
Rosas silenciosas!
E eternamente, sofridas...

E do pensamento, rosas!

Rosas nas cores dos vinhos!
Rosas tão dolorosas...
Rosas com sevos espinhos!

Vim te oferecer essas rosas!
Tão vermelho buquê!
De rosas tão angustiosas...

E são-me, as rosas, doridas!
Do coração, o sofrer!
Onde bem foram colhidas...

(® P.O.Velásquez)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Aquela Noite... - 15/07/2007

Aquela noite,
Eu lembro ainda!
Todos dormiam...

Teus seios pequenos,
Rosados!...Intumescidos!
Teus longos cabelos
Quase escondiam...

Teu corpo ardente!
Tão lindo!...Tão belo!
Inocente ainda!
Palpitava suave,
Tão cheio de vida!

Em lábios suaves,
Tua boca sorria...
Sonhavas mil beijos,
Talvez,
Quem o saberia?!

Ressonavas tranquila...
Dir-se-ia,
que naquele momento,
Era um anjo que dormia...

(® P.O.Velásquez)