segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Amazonas... (16/11/2015)


Do Amazonas balança preguiçosa a maresia.
Tranquilo sopra o vento e tristemente
Um ondulante respingo assim de melancolia,
Arrasta os meus sonhos para sempre...

Percebo as águas se agitarem e de repente
Elas balançam escuras, sinistras, tenebrosas!
Acompanham sinuosas e perenes
As saudades que agora jazem mortas...

Desfeitos sonhos que em mim ainda grassam
São arrastados em meio às ondas
Das lembranças que muito me abraçam...

Pululam meus sonhos das margens desse rio,
E lá, (nos confins do Amazonas!)
Mergulham perdidos no vazio...

(P.O.Velásquez)

sábado, 24 de maio de 2014

Entre Ter... 16/03/2014

Fomos o que fomos porque nada o é,
No entanto, nesta vida, haja o que houver,
Não seremos eu, nem tu, nem outro qualquer!

Seremos apenas imaginação:
- Irmãos das noites, da solidão!

Não sentiremos nada, nem o travo de um beijo...
Anoiteceremos abismos, poços de desejos!
Amanheceremos lúgubres cortejos...

Pilar da ponte que sustenta dissabores,
Não nos trairemos por outros desamores!

Líquido e certo. Sopesamos muito na balança!
Sopesamos tempos de mudanças
Na certeza de que a alma não descansa!

Entre ter ou não ter. Entre perder ou ganhar.
Inda há nesta vida alguém que possamos amar?!

(P.O.Velásquez)

sábado, 28 de dezembro de 2013

Borboleta Amarela...


Voeja uma borboleta nas tardes...
Esvoaça em volteios Tudor, sempiterna...
Esvoaça deixando saudades:
- As lembranças do que foi, do que era...

À amarelecida cor dessas tardes
A melancólica cor sua aparência revela...
Revela a cor das saudades
Em tudo o que deixou à sombra dela...

Grassam no meu peito saudades eternas...
Saudades da filhinha querida
Que descansa sob sete palmos de terra...

Lembranças vívidas meu coração encerra...
Encerra tudo o que foi minha vida
Nas asas de uma borboleta amarela...

(P.O. Velásquez – 18/03/2013)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As Flores do Ipê… (28/07/2011)



De amarelas flores sou ilusão…
Trago comigo saudades;
O muito do nada que deixaste
Despontar em mim na solidão…

Emirjo - do outono -, entardecer…
Sou flor caída no ocaso;
Rolo pela terra ao descaso
Da vontade desfolhada de jazer…

Amarelecidos sonhos de viver…
Sou flor do galho alquebrado
Que cortaste pra nunca florescer…

A solidão, em mim, é bem-querer…
É bem querer ser lembrado
Como as flores amarelas do ipê…

(P.O.Velásquez) 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Primeira Vez Que Eu a Vi... (11/12/2009)

A Primeira vez que eu a vi 
Estava palidamente linda
E na lividez airosa, assim,
Permanecia mais bela ainda!

Seus lábio, oh frêmitos desejos,
Arrepios de amor, Astenias! 
Melancólicos lábios, oh beijos 
Que me foram noites e dias...

Em casta paixão eu a observava! 
No seu  olhar todo o amor 
Que o meu olhar procurava... 

No rosto, inda um beijo eu senti! 
E foi-me, tristonha dor, 
A primeira vez que eu a vi...

(P.O.Velásquez)

domingo, 15 de maio de 2011

Da Janela do Meu Quarto, Girassóis, Menina... - 07/05/2011

Meu amor, minha menina...
Oh minha fulgurante flor angelical...
Anjo em flor... Flor pequenina!
Que floresceu no meu quintal...

Tão belos girassóis, meu amor,
Emurcheceram na tarde quais defuntos...
Emurcheceram juntos com a dor
Que ora nos abandona tristemente juntos...

Da janela do meu quarto, girassóis, menina...
Divinos cachos dourados
Fulgem da tua cabeleira ainda...

Fugaz certeza de um dia termos existidos:
“- Eu, como um tolo apaixonado...”
“- Tu, como um girassol tão colorido...”

(P.O.Velásquez)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tudo O Que Choramos Juntos... - 12/01/2011

Vem-me ao pensamento, saudades...
Saudades de ti!
De um tempo - em mim -, não fenecido...
Saudades do ontem... Das tardes!
Que passei junto contigo...

Oscilante,
O relógio oscilava todo em partes,
Em partes, Febril...
Oscilava tanto em partes, nas tardes!
Em que oscilou no meu vazio...

Ao largo da vida, passaste...
E passaste a passo, sem me ver...
E passaste adiante, enclausurado riso...
E rindo à toa... O meu sofrer!
Tanto mais sofreu por sentir-se vivo...

Lembranças sussurrantes,
Pelo ar, sopradas...
Sopradas pelo ar, tristonho vento...
Sopradas pelo ar, e em mim alçadas!
Como alço a ti o pensamento...

E em tão límpida água,
Suspiram os minutos, e as horas...
Do que fui!...Suspiram os segundos...
Suspira tudo, e a clepsidra chora,
Lembrando tudo o que choramos juntos...

(P.O.Velásquez)